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Cardiologista chega à PF para eletrocardiograma de Arruda

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
da Agência Brasil

O cardiologista Brasil Caiado chegou no final da manhã desta quarta-feira à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o exame de eletrocardiograma do governador afastado e preso do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido).

Ele disse que fará seis medições diárias da pressão arterial de Arruda durante três dias. O objetivo é avaliar o quadro de saúde do governador afastado. O último exame de cardiograma do ex-democrata foi feito há seis meses.

"A questão da depressão, da tensão e do estresse que ele está passando, em um paciente hipertenso e diabético, transforma-o em um paciente de risco muito maior, uma vez que eventos coronarianos, às vezes, aparecem mais nesta fase", disse o cardiologista.

Arruda se recusou a fazer jejum e, com isso, não poderá realizar nesta quarta-feira dois dos três exames solicitados por seu médico. Com a opção por não ficar em jejum, hoje só será possível realizar o eletrocardiograma, e os exames de urina e de sangue foram adiados, inicialmente, para amanhã (11).

O governador afastado está preso desde o dia 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal. Segundo o órgão, no local há todos os equipamentos necessários para os exames. Apenas a análise do material coletado ficará a cargo do laboratório.

Ontem, Caiado afirmou que o governador afastado não precisa de internação imediata para tratamento em um hospital, mas que ele apresenta um quadro de depressão muito acentuada, hipertensão e diabetes não controlados, além de um edema não identificado no pé direito.

Na segunda-feira, Arruda foi levado a um hospital --foi a primeira vez que o governador deixou a prisão desde que foi detido no dia 11 de fevereiro. Ele foi escoltado por policiais.

Caiado afirmou que Arruda já está sendo medicado contra depressão. "O quadro clínico dele é, no momento, uma hipertensão arterial que não está controlada, diabetes que não está controlado e edema no membro inferior direito a esclarecer, mais a depressão. A depressão ele foi avaliado, mas não é minha área específica. Ele foi avaliado por uma especialista aí mesmo e já está até medicado para isso", afirmou.

O médico particular de Arruda afirmou que a suspeita de trombose (formação de um coágulo de sangue) no pé direito, no momento, está descartada, mas só um exame mais completo poderá avaliar o inchaço no local. Arruda teve o tornozelo operado em novembro do ano passado. A Polícia Federal já havia informado que o exame não apontou trombose.

"Esse exame ajudou a gente a raciocinar preliminarmente o diagnóstico, mas ainda não está definido o porquê do edema. Inicialmente se pensou numa trombose, mas o exame não confirmou. É muito comum ter trombose depois de cirurgia ortopédica. Ainda precisa ser esclarecido", disse.

A consulta levou uma hora e foi acompanhada pela mulher de Arruda, Flávia Arruda, pelo advogado Thiago Bouza e uma pessoa que não quis se identificar. Durante a avaliação médica, o cunhado de Arruda chegou à Polícia Federal para deixar o jantar do governador.

Flávia saiu com uma receita médica no colo com recomendação para o uso de Plavix 75, um remédio para prevenir problemas causados por coágulos no sangue e endurecimento de artérias; e de Somalgin Cardio, para prevenção de trombose nas veias.

A visita do médico particular de Arruda foi solicitada pela defesa e autorizada pelo ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Uma estratégia avaliada pelos advogados seria conseguir uma avaliação médica mostrando que Arruda está com a saúde debilitada e precisaria de prisão domiciliar. Oficialmente, os advogados negam a ideia.

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